O Tempo de Deus.

Lendo o livro do profeta Habacuque despertou em minha mente o clamor de um profeta inconformado com o seu tempo. Ele inicia o seu livro com a seguinte expressão: Até quando, Senhor, clamarei eu e tu não escutas? Gritar-te-ei: violência! E não salvarás?(ARA) Hb.1.2.

Começando pela expressão até quando, sugere-nos à cobrança de um tempo limite, representa, também, a revelação da dor na alma do homem de Deus, a saber Habacuque, quando via o seu povo sendo massacrado pelas nações ímpias e pagãs, cuja permissão de Deus assinalava para a punição dos pecados por causa da idolatria e desobediência que reinava entre o povo.

Por mais absurda que pareça, a imagem que construímos em nossa mente de um homem de Deus interpelando o Criador, leva-nos a pensar na gravidade da situação daqueles dias que levou Habacuque a tomar esta decisão difícil.

O tempo da narrativa bíblica se passa no período em que o reino do sul, Judá, era dominado pelo grande Império Babilônico. Deus havia falado através do profeta Jeremias sobre um exílio reservado ao povo israelita, como conseqüência da sua obstinação e desobediência.

Séculos antes, o reino do norte havia sido tragado pelo Império Assírio pelo mesmo pecado, a desobediência,  agora, a pequenina nação de Judá incorria no mesmo erro. Isto nos mostra, o quanto as pessoas, longe de Deus, se tornam incorrigíveis ao ponto de esquecer-se dos exemplos passados que ficaram sob a colheita do fruto da desobediência.

A bíblia diz que Deus não se deixa escarnecer o que o homem semear isto também ceifará. Gl. 6.7.

Porém, a imprecação do profeta vai mais longe, gritar-te-ei violência: e tu não salvarás? Esta atitude representa a intensificação da dor revelando a sua indignação, cujo efeito pinta um quadro ainda mais sombrio do pecado do povo versus o silêncio de Deus.

Por mais incoerente que pareça, o silêncio de Deus representa tudo no alarido da vida, pois Deus tem um momento certo para agir. Ele não trabalha contando com o tempo do homem, porque o tempo do homem é o imediatismo. Porém, Deus age na plenitude dos tempos, ou seja, o momento oportuno, cuja ação traz salvação ao seu povo.

 

Ev. Eliezer A Vieira.

 

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